Amigamãe ou Mãe e Amiga? [Papo de Mãe]

Por Adriana Garcia


             Sempre lia vários artigos sobre filhos mesmo antes de ser mãe, e um dos que mais me chamavam a atenção, eram os que falavam da relação de Mãe “SER Mãe” em primeiro lugar, e não somente “Amiga”. Confesso que isso me incomodava! E indagava, mas como não vou ser amiga da minha própria filha? E então nasceu Sofia… e eu continuava com o mesmo pensamento! Sofia foi crescendo… e eu? Mudei meu pensamento!
            Esses artigos falavam muito sobre a diferença na prática, na relação “Mãe e Amiga”, onde a “Mãe” fica com o compromisso da educação e da cobrança e a “Amiga” fica com a melhor parte: diversão, brincadeiras, novidades e cumplicidades. Comecei a mudar meu pensamento em relação a “Mãe e Amiga” quando Sofia começou com suas “chantagens”. As crianças parecem conhecer seu ponto fraco, aliás, elas conhecem seu ponto fraco, se você deixar é claro! Porque se você tentar ser mais amiga do que mãe, você pode correr o risco de comprometer a educação!
            Um dia desses, ela queria algo, então a me ver negar seu pedido olhou-me bem sério, cruzou ou braços e disse: ah mamãe, então você não é mais minha amiga? Na hora achei graça, porém me contive. Foi nesse momento que eu comecei a entender o significado de amiga para ela a que faz todas minhas vontades… Foi aí que percebi que precisava conversar sobre isso. Até porque as crianças nos dão essa dica, você precisa repensar algumas coisas, e você só percebe que algo precisa ser mudado ou esclarecido quando você vê o reflexo disso no seu filho e isso incomoda você.
            E então, aproveitei o momento e expliquei sobre o assunto. Disse a ela que era sua amiga sim, mas primeiramente era sua Mãe! E que não estava concordando com o pedido que ela havia feito, e nem por isso estava deixando de amá-la e que estaria sempre ao seu lado quando precisasse. Expliquei que Mãe da bronca, bota de castigo, diz não, e nem por isso deixa de cuidar e educar, e ela precisava entender que há hora certa para algumas coisas, e nem tudo o que queremos necessariamente tem ou pode ser feito. No entanto, era natural ela estar magoada por não poder ter seu pedido aceito, porém não poderia considerar que para serem amigas, as vontades teriam que ser aceitas e principalmente as chantagens!
            Depois de muita birra e indagações enfim ela pareceu ter entendido o recado. Eu queria deixar claro que os amigos são importantes sim, porém tanto em casa ou com os amigos a educação vem em primeiro lugar, e chantagem não era uma forma legal de lidar com as pessoas e que diferente da mãe, com os amigos, ela correia o risco de perder muitos deles se agisse dessa forma.
            Isso faz algum tempo, de lá para cá, Sofia não precisou mais ser lembrada sobre essa conversa. E eu na medida do possível, tento estar mais próxima e presente na vida dela, porém ciente que o desafio de mãe precisa sobrepor ao de amiga.
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