Exemplos fundamentais [Colunista – Terapeuta Familiar]


por Veridiana Fernandes
Até que ponto nossos exemplos são mais fortes para nossos filhos do que nossas palavras? Respondo de forma bastante radical: nossos exemplos são infinitamente mais importantes que nossas palavras. Portanto, levemos sempre em consideração que discursar para as crianças – ao menos até seus sete anos – não serve para nada. As palavras começarão a ser ouvidas e depois deixarão de ter importância. Não existe nada mais fundamental para uma criança pequena do que o exemplo.
É através do exemplo que a criança apreende o mundo e é imitando-nos que ela estabelece relação com o mundo.  E aqui mora o problema: é preciso muita autoconsciência para não sermos pegos em nossa própria armadilha! As crianças são nosso reflexo e vermos nossos amorzinhos imitando nossos piores defeitos é algo verdadeiramente insuportável! O negócio é aproveitarmos estas ocasiões para repensarmos nossos próprios comportamentos, mas não deixando de valorizar em nós mesmos aquilo que temos de melhor – e que eles também imitam!
É importante também dizer que não há nada mais ofensivo para uma criança do que acusá-la de estar imitando fulano ou ciclano. As crianças não imitam com consciência – lembre-se que nós também não temos consciência de todos os nossos comportamentos – e estão apenas experimentando como é ser diferente do que foi até agora.  Experimentando a reação alheia, principalmente. Por isso, mesmo que eles resolvam imitar aquele odioso parente ou aquela amiguinha chata, antes de brigar pensem que é só experiência e reajam normalmente. Nem sempre isso é possível – principalmente quando o comportamento deles “pisam em nossos calos” – mas nós também estamos aprendendo com a experiência e somos autorizados a errar e consertar o erro em um segundo momento.
Existe algo muito importante que um pai e uma mãe devem saber: nossos filhos, até certa idade, não fazem as coisas de forma pessoal. Se eles imitam alguém que não gostamos, não é porque querem nos provocar, nos desafiar ou nos incomodar, é apenas para experimentar o que suas atitudes provocam-nos outros. E nossa função é garantir que nosso amor não depende apenas de atitudes doces e bondosas, mas que aceitamos também seu outro lado, sua sombra, mesmo que não gostemos dela. É importante que as crianças conheçam seu lado menos “queridinho” e que saibam interpretar suas emoções e controlar seus piores impulsos, e este conhecimento só pode se dar através de nós. Somos nós os facilitadores deste processo.
Muitos de nós fomos educados a “engolir” esta sombra e hoje não sabemos bem como lidar com sentimentos que não são muito bem vistos pela sociedade (raiva, inveja, tristeza…) acabamos nos sentindo muito culpados por experimentá-los. É importante que saibamos que eles existem, que serão sentidos, e que não precisamos negá-los. Basta que saibamos controlá-los e o primeiro passo para isso é admitir sua existência. Para nossos filhos também é assim. Podemos dar nome aos sentimentos, dizer que eles são normais e acolher isso, dando o famoso “tempo” para aquilo passar. Está com raiva? Tudo bem. Mas não jogue seus brinquedos. Vamos procurar algo que você possa jogar sem estragar nada? Pronto. Jogue isso. Fique aqui jogando e quando sua raiva for embora, estarei na sala esperando por você. Pronto!
 Agora vocês devem estar pensando: Hãhã! Meu filho quebrando a casa e eu com toda a calma do mundo procurando algo? Sim, vocês têm razão. Não será assim que acontecerá. Não na primeira vez. Mas na segunda ou na terceira sim! Basta que tenhamos um tempo para refletirmos sobre os acontecimentos, sem buscar responsáveis ou fatores desencadeadores, mas buscando soluções imediatas, para serem colocadas em prática assim que o fato começar a acontecer. Assim eles se sentirão seguros e nós nos sentiremos vitoriosos, mesmo quando o vento parece não soprar a nosso favor.
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