NÃO GOSTO DO MEU CABELO MAMÃE[Papo de Mãe]

 por Adriana Garcia

Já faz um tempo que Sofia vem me tirando a paciência por causa do seu cabelo. Ela tem cabelos encaracolados, castanhos e lindíssimos. Mas não gosta deles, tenta esticá-los ao máximo na hora de penteá-los. (cabelos encaracolados só pode ser penteado molhado, quem tem sabe! caso contrário vira uma comédia ao sair na rua!). Ela insiste tanto para manter os cachinhos esticados que os coitadinhos também resolvem se defender e quanto mais ela estica com a escova, mais eles acabam vencendo a guerra! E Sofia fica chorando querendo ser loira e lisa. Tento fazer com que ela valorize outras coisas em si e desvie a valorização excessiva a um cabelo o qual ela não tem, mesmo assim não a convenço e ela sai de casa chorando e diz que quando crescer vai fazer escova progressiva, pode uma coisa dessas? Minha tolerância tem limite, meus argumentos são verdadeiros e reais e vão desde os exemplos de crianças que por causa de doenças perdem seus lindos cabelos, até exemplos de valores em relação à vida. Explico para ela que todos somos diferentes e que ela precisa se amar, se valorizar e se aceitar porque ela é perfeita do jeitinho que é, e isso é o que realmente importa. E o engraçado é que as pessoas elogiam bastante o cabelo dela, e parece que quanto mais elogiam mais ela deseja que eles sejam loiros e lisos. Em respeito aos sentimentos dela e para levantar um pouco a sua auto-estima, muito esporadicamente deixo ela fazer escova lisa no salão quando tem um casamento ou um evento importante. Imaginem a felicidade da criança! Ela se sente a criaturinha mais feliz do universo! E o sorriso não cabe em si. Porém explico que abrimos uma exceção porque nessas ocasiões especiais podemos sair da nossa rotina diária e por algumas horas todos temos direitos de sermos príncipes e princesas, e assim as meninas, como as mamães também podem fazer penteados. Ela acha divertido e comenta que geralmente as meninas fazem cachinhos nos cabelos, e que ela como já os tem, prefere alisar para ficar diferente. Porém no dia seguinte quando o feitiço acaba lá estou eu nos meus desafios de ensiná-la a se sentir bem, a se aceitar, a lidar com os sentimentos e emoções, dando-lhe suporte para que ela seja feliz, do jeitinho que ela é: crespa e castanha! E isso me despertou uma curiosidade, aí na sua casa, alguém pequenino ou pequenina, já questionou querer parecer algo diferente do que é?
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