Avião? Oh Não! [Colunista – Terapeuta familiar]

Por Veridiana Fernandes
Como mãe de duas filhas, casada com estrangeiro, nestes últimos anos fiz muitas viagens longas – para visitar nossa família – e acredito que tenho algo a acrescentar neste quesito.
Primeiro, esqueçamos todos os manuais que dizem o que levar, o que fazer, como fazer, para onde ir. O mais importante, sob o meu ponto de vista, é respeitar o ritmo da criança. Não adianta querer que ela se adapte ao seu programa. Isso gerará muito desgaste para ambas as partes. Se ela acorda cedo e vai dormir cedo, aproveite sua viagem neste intervalo de tempo. Tudo fluirá melhor!
Quanto ao avião, devo dizer: tenho duas filhas e uma é completamente diferente da outra. A primeira dorme – e sempre dormiu – como uma pedra. Nem parece que está no avião. A segunda berra. Berra muito e o tempo todo. Já tentei de tudo (peito, remedinho homeopático, remedinho alopático, chupeta, passeios intermináveis pelo avião, sling, colo do pai…) quando digo tudo é porque foi tudo mesmo. Não adianta. É fácil darmos conselhos aos outros quando nossos filhos são calmos como a minha mais velha. Mas agora tenho experiência para saber que o melhor conselho é: não se importe com os outros. Eles torcerão o nariz, te olharão feio, alguns tentarão dar conselhos, outros perguntarão se é fome ou dor de ouvido. Seja o mais educada possível e responda apenas “não. Ela é assim mesmo, obrigada.”
O maior desespero que podemos sentir estando em uma caixa a não sei quantos mil metros de altura é que estamos perturbando a vida alheia, mas isso nos ensina algo muito profundo sobre a maternidade: não controlamos nada. Mesmo. E isso valerá desde o momento em que engravidarmos até o fim de nossas vidas. Lição valiosa não é mesmo? Sim, com certeza, mas como encarar o desespero da barulheira que seu filhote pode provocar durante um vôo? Conselho de mãe para mãe: ligue aquele botãozinho do egoísmo absoluto (aquele mesmo que, durante a gravidez você ligava para comer algo que estava desejando muito, sem oferecer para ninguém). Lembre-se que aquele vôo durará apenas algumas horas (muitas, eu sei) e que depois, todas aquelas pessoas poderão descansar em seus quartos de hotel e vc estará cansada e sem dormir. Se você pensar assim, quem ficará com raiva deles será você e isso fará com que a culpa se dissipe.
Agora, brincadeiras à parte, a paciência e a atenção nas pequenas coisas é o que nos faz aproveitar muito nossas viagens com crianças. Elas nos farão olhar o mundo com outros olhos, nos farão perceber detalhes inesperados e, muito provavelmente, abrirão nossos corações para vermos as diferenças culturais como algo muito natural. Se puderem, experimentem deixar seus filhos brincarem livremente em um parque infantil. Pode ser uma surpreendente e bela descoberta sobre relações humanas.
E tenham todos uma boa viagem!
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