O Ser e o Estar no Mundo[Colunista – Terapeuta Familiar]

por Veridiana Fernandes

Acabo de ler este artigo: http://vidaorganizada.com/trabalho/a-pressao-para-fazer-o-maximo/ e penso na história dos corredores que corriam, corriam, corriam, sem saber onde deveriam chegar.

Além de criarmos uma geração frustrada e depressiva – da qual fala a Thais – estamos também criando pessoas que acham que estão “perdidas”, que nunca sabem o que querem fazer exatamente. Porque, se você tem de ser o melhor, o mais produtivo, o mais competente, “O” protagonista, e ainda viver fazendo só o que ama (porque só assim será feliz de verdade) significa que deve existir uma sensação muito evidente de “agora estou no lugar certo”. Sabemos que esta sensação não existe de imediato, que ela é uma construção associada à nossa personalidade, ao nosso modo de ver as coisas, às nossas vivencias sociais e pessoais e que ela não é permanente, independentemente de estarmos satisfeitos com o rumo que estamos tomando. Eu, particularmente, passei boa parte da minha juventude estudando, me formando (e não me arrependo minimamente, porque tudo foi e é muito útil para a minha vida) e descobri que o que gosto mesmo é de cuidar das minhas filhas e fazer biscoitos. Mas, foi apenas com 33 anos que pude relaxar dessa pressão social de ser a maior protagonista de todos os tempos e me tornar uma pessoa comum, que se realiza em “pequenas-grandes” coisas, sem grilos por estar em uma zona altamente confortável (adoro estar onde estou) sem ser uma “zona de conforto” (não estou acomodada. Faço tudo com gosto, com alegria e não automaticamente, e apenas por obrigação). Se nos abrirmos para o mundo, para viver a vida de verdade, aprenderemos todos os dias coisas novas e nos interessaremos cada dia mais por ela. Não precisamos ensinar aos nossos filhos que eles só serão felizes se forem os melhores, que só serão reconhecidos se forem protagonistas, que só serão valorizados se tomarem a iniciativa SEMPRE. 

Precisamos ensinar que a satisfação vem, no tempo certo, que teremos sim de fazer um monte de coisas chatas e aparentemente sem sentido durante a vida toda, que existem muitas pessoas no mundo e que podemos dividir o espaço com elas e não ficarmos nos preocupando se estamos caminhando na frente ou atrás delas, mas tentarmos caminhar ao lado uns dos outros. Podemos também ensiná-los que duas cabeças pensam melhor do que uma e que quatro mãos podem tocar uma mesma música com maestria. Que a felicidade está em ser reconhecido por aquilo que se é e não por aquilo que se tem. Que podemos valorizar e sermos valorizados por nossas diferenças agindo em conjunto e não apenas por sermos “diferentes”. Que ser diferente não é ser autentico ou melhor, e que só os seres humanos tem a capacidade de unir diferenças e criar a partir disso. E, acho eu, o ensinamento mais precioso de todos: se buscarmos o tempo todo sermos o mais isso ou o mais aquilo, perderemos um precioso tempo de ESTAR no mundo, enxergando e recebendo, com atenção, amor e satisfação, o que ele tem para nos oferecer de presente sem exigir nada em troca.
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