PORQUE CRER TAMBÉM É PODER [Colunista – Terapeuta Familiar]

Por Veridiana Fernandes
Naturalmente no mês de março, o assunto da vez foi a pesquisa feita pelo IPEA que serviu para comprovar o quanto ainda vivemos em uma cultura machista e extremamente violenta em relação à mulher. Independentemente deles terem revisto seus dados e dizerem que erraram, 25% das pessoas ainda é muita gente (mesmo sendo bem menos do que 65%).
Como alguém que trabalha com famílias, não posso “pular” este assunto. Não vejo problemas em querermos rosa para meninas e azul para meninos, vejo problemas quando um vídeo, tido pelas pessoas como “fofíssimo”, circula pela internet e mostra um irmão dizendo para o outro que ele não deve chorar “porque homem não chora”. O mais velho dizia isso com todo carinho para seu irmãozinho, e isso de fato era “fofo”, porém, perceber que uma criança de quatro/cinco anos acredita mesmo que um homem não chora é um péssimo sinal. Sinal de que ainda temos mães e pais que educam seus filhos para negar suas emoções, para guardar dentro de si suas tristezas e, o pior de tudo, para acreditar que esta atitude fará deles mais – ou menos – homens. Tão “tosco” (desculpem, não encontrei termo melhor) e machista quanto achar que uma mulher que não gosta de bebes não é uma mulher de verdade.
Muitos dizem que o machismo é um problema de “nossa sociedade”. E eu pergunto: quem faz a “nossa sociedade”? Sou eu, você, a vizinha, certo? E o que a nossa atitude faz na “nossa sociedade”?
Nós como mães e pais que buscam a felicidade de nossos filhos, precisamos perceber que ser mulher ou homem é muito mais do que uma diferença física ou comportamental. Sinceramente, não me importo minimamente se minhas filhas querem ser princesas. Eu não nego isso a elas, por que não acho que será isso que fará delas mais ou menos mulheres, mais ou menos femininas, mais ou menos fortes. Não nego a elas também o direito de brincar de ser um super herói. Não será isso que fará delas mais ou menos mulheres, mais ou menos femininas, mais ou menos fortes. O que fará delas mulheres de verdade será entender que somos, primordialmente, seres humanos e, como tal, PRECISAMOS aprender que somos TODOS diferentes e particulares. Que cada um tem a sua história, o seu modo de se vestir, de falar, de caminhar, de pensar, de criar e de se relacionar. Cada um tem seus interesses e preferências e que respeitarmos isso é exatamente fazer do mundo um lugar mais lindo e rico de se viver. Se respeitarmos os outros como seres humanos, não mais permitiremos injustiças, violência, intolerância e preconceito, porque não mais importará credo, cor ou nacionalidade. Seremos todos respeitados por aquilo que somos e respeitaremos ao outro por aquilo que ele é. E apesar de ser uma visão muito idealista, é nisso que acredito.
Quando vejo que 65% da população (ou 25%, depois da tal correção) ainda encaram a mulher como um objeto e o homem como um ser animalesco e incapaz de controlar seus impulsos, tenho vontade de sair por aí sacudindo todo mundo. Aí paro, respiro e olho para mim. Como membro dessa “nossa sociedade” onde estou errando? Estou errando quando continuo acreditando naquilo que fui ensinada a acreditar, sem questionamentos, sem revisões, sem reflexões. E o pior que acreditar é, em minhas atitudes, ensinar minhas filhas a acreditarem também. São crenças, que nem sabemos de onde exatamente vieram ou quando exatamente se instalaram em nós, que fazem com que homens se dêem ao direito de achar que existem mulheres que “pedem” para ser estupradas e, pior ainda, se dão ao direito de estuprá-las. São essas crenças que nos fazem reduzir tudo a um jogo patético que disputa a superioridade de um ou de outro. Mas não perco as esperanças. Ainda estamos em tempo de mudar. A transformação dessa “nossa sociedade” virá aos poucos, se cada um de nós começarmos a policiar seus pensamentos e ações. Que cada um de nós ensine aos seres humanos que mais amamos no mundo, que a liberdade deve ser igual para todos. Que temos diferenças sim, mas que elas não são determinadas pelos nossos sexos, mas pela forma como fomos educados e pelas vivencias que temos durante a nossa existência. Rever nossos valores é fundamental ao educar nossos filhos, porque não podemos continuar perpetuando uma sociedade cheia de preconceitos e injustiças. Não existe educação cara, intercâmbios no exterior, cursos disso ou daquilo, que substituam os valores. E valores são aprendidos de forma tão discreta, tão subliminar, que quando percebemos, já estão lá. E serão eles que alimentarão um mundo mais justo e decente, ou destruirão o pouco de amor e dignidade que nos resta.

E você, no que tem acreditado ultimamente? 

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