CONFLITO E VIOLÊNCIA: VOCÊ SABE A DIFERENÇA? [Coach Parental]

Por Veridiana Fernardes


Este mês, no Família em Si, trataremos de um tema muito atual: a violência. Você deve estar se perguntando o porquê desta escolha e eu logo esclareço: estamos vivendo em um momento onde atos violentos parecem ser extremamente banalizados. Não sabemos se a mídia exagera, ou se, de fato, o ser humano desaprendeu a ter tolerância ou limites. Talvez exatamente por sermos constantemente bombardeados por notícias, temos a tendência a generalizar comportamentos, que antes passariam despercebidos, como violência. Esta espécie de distorção, ou de rotulação, como preferir, tem trazido – pasmem – ainda mais violência ao nosso cotidiano. Esta afirmação parece absurda, eu sei, mas logo vocês entenderão que não há tanto absurdo nisso.

Em primeiro lugar, é importante que saibamos a enorme diferença entre “Conflito” e “Violência”. Muitas vezes, a própria mídia chama uma guerra extremamente violenta de “conflito” e uma discussão política acalorada, mas sem violência, de “guerra”. Como podemos aprender a diferenciar estes termos para, como diria Daniele Novara, “não minimizar uma experiência trágica e não tornar trágica uma experiência cotidiana”?

O termo violência indica uma ação, mais ou menos premeditada, que não leva em conta a relação entre as pessoas envolvidas, mas busca uma solução rápida: a eliminação do adversário. A violência normalmente causa danos irreversíveis. 

O termo conflito é totalmente ligado à importância da relação entre as partes. Quem discute, tem a intenção de solucionar o problema mantendo a relação – mesmo que ela seja conflituosa para sempre. Não existe rompimento, não existe a vontade de eliminar o outro.  

É uma grande diferença, certo? E esta grande diferença nos faz pensar em um outro aspecto da questão: a capacidade de reconhecermos e lidarmos com nossas emoções e nossos impulsos.

Nós, ao invés de educarmos nossos filhos para conhecerem suas emoções – e consequentemente aprender a geri-las – criamos rótulos que os afastam delas. “Este menino é bravo, ele já me bate com 2 anos”! “Esta menina é um amor, nunca fica brava!” “Esta menina é mimada, só chora!”. “Este menino é mau, bate em todos os coleguinhas.” Quem nunca ouviu ou pronunciou uma frase deste tipo? Rotular crianças é impedir futuros adultos de conhecerem a si mesmos e, consequentemente, justificarem seus piores comportamentos: “eu sou assim desde pequeno, nasci assim…” Não conhecermos nossas emoções pode gerar comportamentos explosivos que culminam, mais tarde, em atos violentos.

E para exemplificar, o que é o adolescente que espanca um colega? É uma criança que não aprendeu a reconhecer e lidar com sua raiva. Ou foi obrigado a engoli-la a vida toda e naquele momento explodiu, ou foi incentivado a reagir assim sempre que a sentia: quando era pequeno jogava os brinquedos na parede, e agora grande, espanca o colega que o provocou. Sua força aumenta, sua capacidade de premeditar aumenta e seu descontrole é o mesmo.

A verdade é que, quem não sabe enfrentar conflitos não é capaz de ter relações profundas.


E quando aprendemos a enfrentar conflitos? Na nossa mais tenra infância. Naquele momento em que estamos convivendo com nossos irmãos, primos e colegas da escola; naquele momento em que estamos experimentando a vida real em um ambiente seguro e orientado por adultos amorosos e competentes. Você já pensou nisso?

A sociedade contemporânea clama por paz, mas nenhum adulto ensina seus filhos a tal da “comunicação conflitual”. 

Com este artigo, eu gostaria de atiçar um bocadinho a curiosidade de vocês e perguntar: quem aí sabe lidar – de forma construtiva – com conflitos entre crianças? E quem sabe lidar com rompantes emocionais delas?
Contem suas experiências aqui nos comentários, no facebook, no site ou por email. Vou gostar muito de ouvi-las!
E para quem quer saber mais sobre o tema da “comunicação conflitual”, fique de olho! Este mês trataremos somente deste assunto no Família em Si. Falaremos sobre bullying e, claro, sobre COMO ajudar seus filhos, ou seus alunos, a aprender a lidar – de forma construtiva – com seus próprios conflitos e emoções! 
Espero vocês!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s