Ser Pai [Papo de Pai]

Por Rafael Alves
Eu faço várias coisas da vida, mas a principal, hoje, é cuidar da minha filha.
Falando assim parece óbvio e até meio bobo, já que de maneira geral todo mundo cuida dos seus filhos, né? Na verdade não.
Que o machismo assola nossa sociedade não é novidade, mas muitas vezes ele está dentro das casas de parentes e amigos e nem percebemos.
E quando o tema é paternidade a situação fica um pouco delicada. É ofensivo expor pra alguém um detalhe que diminua sua qualidade em um tema tão importante quanto “ser pai”.
E tá cheio de paizão por aí que faz uma coisinha aqui, outra ali, e acha que já pode ganhar uma camiseta de pai do ano. Eu já tive orgulho de fazer o que faço, mas não tenho mais.
Não tenho porque não acho que seja motivo de orgulho. É o básico, é o que todo mundo deveria fazer. Saber que algumas pessoas (especialmente mães numa relação desproporcional de cuidado) acham que eu sou um super paizão é só mais uma prova de quão forte o machismo ainda está por aqui.
A verdade é que tirando algumas exceções (como parir e amamentar), o homem é capaz de fazer absolutamente tudo o que a mulher faz. E não me venham usar instinto como desculpa. Pensando nisso, elaborei aqui uma lista de meia dúzia de coisas que considero obrigatórias pra qualquer homem que tenha um pingo de vontade de se considerar um bom pai e, de brinde, cada item inclui um “extra” pra melhorar ainda mais!
1) Participar do pré-natal. Não só ir à consulta, mas fazer perguntas e ser preparado para o que está por vir. Participação ativa de verdade. Entender cada estágio da gravidez e o que acontece com a mulher e com o feto em cada momento. Extra: participar também das consultas com a doula.
2) Se informar a respeito do parto. Entender que existem diferentes jeitos de um bebê vir ao mundo. Dedicar parte do seu tempo estudando os detalhes desse evento que é um dos mais importantes da sua vida. Se preparar e apoiar a preparação da mulher, lembrando sempre que a palavra final é dela. Extra: apoiar o parto humanizado.
3) Participar do momento do nascimento. Entender que não é protagonista e fazer o melhor possível para que a mãe se sinta segura e confortável o tempo inteiro. Massagear, acalmar, passar confiança e garantir que no calor do momento nenhuma decisão previamente tomada seja desrespeitada. Extra: pegar o bebê quando ele sai de dentro da mãe.
4) Compreender o puerpério. Fazer o que for preciso para que a mãe tenha paz e condições de assimilar a mais brusca mudança que seu corpo já sofreu. Entender e aceitar as consequências das alterações hormonais. Extra: mentir pra agradar.
5) Não achar que a licença maternidade tem alguma relação com férias. Nem achar que a mulher fica menos cansada porque passou o dia em casa, ou que ela tem o dever de executar determinada função porque ela já fica em casa mesmo, como se cuidar do seu filho não fosse um trabalho suficientemente exaustivo. Extra: planejar pra ter férias acumuladas e usar quando o bebê nascer, compensando nosso sistema de licença falho.
6) Ser IGUAL dentro de casa. Dar colo, trocar roupa, dar banho, pentear cabelo, escovar gengiva, fazer bolsa de água quente, acordar de madrugada, limpar vômito, preparar alimentação, embalar. Pesquisar pra tomar decisões a respeito do carrinho, da cadeirinha do carro e de qualquer outro acessório pro bebê. Entender o motivo de comprar um e não outro. Extra: participar nas coisinhas fúteis, porque homem também pode escolher roupinhas, fraldas e cortinas.
Agora um detalhe que se aplica a todos os pontos anteriores: nunca, jamais, em hipótese alguma tente se vangloriar por ser um bom pai como se não fosse sua obrigação. Você pode ser um bom pai, e eu espero que seja, só não espere um troféu por isso. Lembre-se que você não “ajuda” sua mulher, porque ajudar implica em acreditar que essa função é dela e que você tá fazendo algo por ela, como se fosse um favor.

O fato de que outros pais não têm esses pensamentos e atitudes não faz de você um ser iluminado maravilhoso que merece elogios e aplausos. Não faça esperando reconhecimento faça porque é o certo e precisa ser feito. Extra: propagar essa ideia, ajudando outras pessoas no desenvolvimento de relações mais saudáveis nas suas famílias.
Papissauro
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